segunda-feira, 23 de maio de 2011

Negro amor


Eu costumo me perguntar: porque as pessoas são tão desesperadas pelo par perfeito?

Costumamos nos vangloriar dizendo: "somos o topo da cadeia alimentar", "somos animais racionais" ou até "dominamos o espaço e a tecnologia". Contudo fico refletindo: "se somos tão bons porque somos tão escravos das nossas vontades?". Nós somos tão racionais, mas não agimos com a razão, tudo pra satisfazer uma devassidãozinha que nos assola, um sentimentozinho, que na verdade não passa de paixões com a mesma base, que é algo meramente corporal.

A mídia e a sociedade fazem com que acreditemos que essas paixões animalescas sejam o centro das nossas vidas. Fazemos coisas vis por um beijo ou um "lance" com uma garota e esquecemos que ela é um ser humano e tem um cérebro, cujo podemos gerar uma baixa estima nessa pessoa. Também caímos na bobagem de atribuir o amor (isso sim nos torna humanos) a relacionamentos, mesmo os mais concretos e consistentes como um casamento, onde se resume apenas em paixões. A sociedade é quem dita isso. As músicas, os programas de TV, as telenovelas, os filmes, os livros etc. tratam uma coisa tão supérflua como se fosse algo indispensável e nós caímos na besteira de colocar isso num pedestal onde no final se resume em sexo.

Não vou ser um puritano safado que diz que esse coquetel de neurotransmissores que são expelidos pelo nosso cérebro na hora de um beijo não são estímulos sexuais. É engraçado que todo mundo coloca a paixão num pedestal, mas ficam escandalizadas quando falo que é apenas sexo, sexo e sexo.

Vocês devem estar indignados dizendo: Esse cara só pensa em sexo? Mas eu respondo: ao contrario, eu falo isso, pois não suporto quando as pessoas colocam num pedestal uma coisa tão tola, simples e natural.

3 comentários:

  1. Arnaldo Jabor : http://obviousmag.org/archives/2006/08/amor_e_sexo_1.html

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  2. Fabrício Freitas25 de maio de 2011 07:50

    Na verdade, quando falo que se resume em sexo, não seria o ato em si, e sim nas vontades e paixões. Li em algum lugar, que me fugiu agora o nome do livro, que a pessoa fica angustiada ao se separar de outra pessoa pois os hormônios causam uma espécie de "vício" pela outra pessoa.

    Isso não quer dizer que eu não acredite no amor, pelo contrario, um relacionamento baseado no respeito e na sinceridade, dentre outras virtudes, considero sim um relacionamento que tem amor, mas na minha opinião, isso leva alguns anos para se concretizar.

    Onde eu quero chegar é na formulação do que é o amor. A mídia, por exemplo, fez o papel de sintetizar o amor como paixões e tudo mais, mas acredito que o amor seja algo bem mais profundo e espiritual do que isso.

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  3. Em suma, gostei do seu comentário relacionando o amor à espiritualidade, pois é um sentimento bastante abstrato mesmo, só sentido e vivendo para realmente saber o que é.
    Contudo, podemos ver as diferentes formas de amar e de sentir. Talvez algo avassalador não seja uma paixão e algo tenro não seja um amor. Como falei, depende da forma de sentir.
    E quanto ao sexo ele simplesmente faz parte disso tudo, sem desmerecê-lo, sendo às vezes até um combustível.
    Obrigada, Fabricio, pela compreensão.

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